terça-feira, abril 06, 2010

Conversa - 2

- não sei porque fazem assim, parece ser de propósito, entendes? Em um dia está tudo bem, no outro nem nos olham. Agem como se tivéssemos a obrigação de saber o que ocorreu.

- é complicado, amigo. Mas nem sei o que lhe dizer.

- não digas, nada mudará. Também nem devo reclamar, não há tantos motivos assim. Prefiro estar sozinho, sabes que às vezes é preciso.

- mas porque reclamas então?

- porque é ruim, esse sentimento. Mal posso descrevê-lo, creio ser a rejeição, o sentimento de abandono, ninguém gosta dele, concordas?

- pois sim, não há quem goste de ser deixado de lado. Mas diga-me, não fazemos o mesmo? Não temos que tomar nossas decisões? E nossas decisões não desagradam alguns, a favor de outros?

- decisões ... elas são feitas de ilusões e, principalmente desilusões, é o que penso.

- ilusões, desilusões. Digo-lhe que não são características apenas das decisões, são características da vida. Ela é assim, nos faz isso o tempo todo. Vemos isso em todos os lugares, em todos os momentos.

- pois veja, há essa garota... e há uma distância tão grande entre nós, e não é uma distância que possa ser contada em metros ou kilometros, em horas, dias ou anos, é uma distância ainda maior. Há uma distância entre nossos seres. Há uma distância entre nossas almas, e ela me parece intransponível.

- e é? Realmente acreditas em imposibilidades?

- não, e é isso que me fere...

Nenhum comentário:

Postar um comentário