- não sei porque fazem assim, parece ser de propósito, entendes? Em um dia está tudo bem, no outro nem nos olham. Agem como se tivéssemos a obrigação de saber o que ocorreu.
- é complicado, amigo. Mas nem sei o que lhe dizer.
- não digas, nada mudará. Também nem devo reclamar, não há tantos motivos assim. Prefiro estar sozinho, sabes que às vezes é preciso.
- mas porque reclamas então?
- porque é ruim, esse sentimento. Mal posso descrevê-lo, creio ser a rejeição, o sentimento de abandono, ninguém gosta dele, concordas?
- pois sim, não há quem goste de ser deixado de lado. Mas diga-me, não fazemos o mesmo? Não temos que tomar nossas decisões? E nossas decisões não desagradam alguns, a favor de outros?
- decisões ... elas são feitas de ilusões e, principalmente desilusões, é o que penso.
- ilusões, desilusões. Digo-lhe que não são características apenas das decisões, são características da vida. Ela é assim, nos faz isso o tempo todo. Vemos isso em todos os lugares, em todos os momentos.
- pois veja, há essa garota... e há uma distância tão grande entre nós, e não é uma distância que possa ser contada em metros ou kilometros, em horas, dias ou anos, é uma distância ainda maior. Há uma distância entre nossos seres. Há uma distância entre nossas almas, e ela me parece intransponível.
- e é? Realmente acreditas em imposibilidades?
- não, e é isso que me fere...
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